quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O qe mais dói...

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um murro, um soco, um pontapé, doem. Dói bater com a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua... Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma amiga da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade de nós mesmos, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorosa é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Tu podias ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam qe estavam lá. Tu podias ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam onde estavam. Tu podias ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem ver-te, mas amanhã estariam juntos. Mas quando o amor acaba, sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.
Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua constipado no inverno. Não saber mais se ela continua a pintar madeixas no cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que tu deste. Não saber se ela foi à consulta com o psicólogo como prometeu. Não saber se ele tem comido como deve ser, se ela tem assistido às aulas de natação da amiga, se ele continua a usar o casaco qe tu tantos gostas, se ela aprendeu a falar inglês decentemente, se ele continua a fumar, se ela continua a preferir Compal, se ele continua a rir como dantes, se ela continua a dançar, se ele continua com a mania das mensagens, se ela continua a amá-lo.
Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como parar as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.
Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer

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